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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Distintivo do Curso da Escola Superior de Guerra

Distintivo do Curso da Escola Superior de Guerra:


A Escola Superior de Guerra foi criada em 20 de agosto de 1949, sob a influência das experiências obtidas por um grupo de militares, capitaneados pelo Marechal César Obino, após o segundo conflito mundial e diante dos prenúncios de uma nova ordem, apontados pelo início da guerra fria. Esses militares acreditavam que o País poderia tornar-se uma grande potência, desde que houvesse vontade política e, sobretudo, gerasse um método de planejamento próprio.





Seu primeiro Comandante e Diretor de Estudos, o Marechal Cordeiro de Farias, foi sucedido pelo Marechal Juarez Távora. Desde essa época, estabeleceu-se um sistema de rodízio, sendo a Escola comandada, alternadamente, por oficiais-generais por militares do último posto das três forças singulares.




Ao assumir o comando, o Marechal Juarez Távora, juntamente com o seu antecessor, dedicaram-se a preparação da doutrina da Escola, estruturada nos campos político, econômico, psicossocial, científico-tecnológico e militar.






A busca pelo estímulo intelectual multidisciplinar fez com que em 1951, além de militares dos estamentos superiores das três forças, a Escola recebesse também a contribuição de civis do mais alto nível dos diversos segmentos profissionais da sociedade.


Ao longo de mais de sessenta e cinco anos de existência, cerca de oito mil esguianos foram diplomados, entre eles quatro Presidentes da República, Ministros de Estado e outras personalidades notáveis do cenário político brasileiro.


A ESG é um Instituto de ideias abertas ao debate livre e responsável. Subordinada diretamente ao Ministro da Defesa, funciona como Centro permanente de estudos e pesquisas.


Fonte: http://www.esg.br

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Uniforme de um Capitão de Mar e Guerra - Veterano da Grande Guerra e da Segunda Guerra Mundial

Uniforme de um Capitão de Mar e Guerra - 
Veterano da Grande Guerra e da Segunda Guerra Mundial:


Um pouco da sua história:

Serviu num cruzador durante a Primeira Guerra Mundial,
comandante do contratorpedeiro na Segunda Guerra Mundial e
foi Ministro da Marinha.




As barretas de condecorações do uniforme são assim identificadas:


1ª fileira: 

Medalha da Vitória (Brasil) - No final da Primeira Guerra Mundial, as nações vitoriosas criaram uma medalha, conhecida como a "Medalha da Vitória". A fita para cada nação era a mesma - um arco-íris duplo, justapostos com vermelho no centro, movendo-se para fora para violeta nas bordas. A frente de cada medalha possui uma figura alada da "Vitória", o inverso as palavras "A Grande Guerra pela Civilização". De todos os países do lado Aliado, as versões mais raras são do Siam e do Brasil. Já que este barrete pertenceu à um oficial da nossa Marinha de Guerra. Ele deve ter servido num dos dois cruzadores ou dois destróieres que estavam sob o comando de um Almirantado Britânico de 01 de agosto de 1918 a 19 de maio de 1919 ou um piloto naval que esteve em treinamento e em patrulhas na Inglaterra ou serviu juntamente em embarcações norte americanas durante a Guerra ou foi adido naval na Inglaterra / França / Itália / Estados Unidos da América. Somente 2.500 dessas medalhas foram produzidas para a concessão a estes marinheiros, soldados e pessoal médico.

Medalha de Serviço de Guerra (2 Estrelas) - Prevista no Decreto-Lei n° 6.095, de 13 de dezembro de 1943; Dec. n° 6.774, de 7 de agosto de 1944 e Dec. n° 1.638, de 16 de agosto de 1944. O Decreto-Lei nº 6.774, de 7 de Agosto de 1944, com nova redação aos §§ 1º, 2º e 3º do art. 1º e ao art. 2º do Decreto-Lei n. 6095, de 13 de dezembro de 1943, onde permaneceu instituída a medalha "Serviços de Guerra" que será concedida aos militares das Marinhas de Guerra Nacional e Aliadas, da ativa, da reserva ou reformados e aos Oficiais e tripulantes dos navios mercantes nacionais e aliados, que tenham prestado valiosos serviços de guerra, quer a bordo dos navios quer em comissões em terra. Na fita da medalha poderiam exibir uma, duas ou três estrelas de acordo com o tempo de serviço. Neste caso, 2 Estrela, tempo de campanha em operações serviço de guerra, na vigilância e defesa de portos, embarcado e treinamento de tática anti-submarina, ou servindo em ilhas oceânicas, por mais de um (1) ano.

Ordem do Mérito Naval (Oficial ou Comendador ou Grande-Oficial) - É uma ordem honorífica do Brasil criada com a finalidade de agraciar militares da Marinha que se tenha distinguido no exercício de sua profissão e, excepcionalmente, corporações militares e instituições civis, nacionais e estrangeiras, suas bandeiras ou estandartes, assim como personalidades civis e militares, brasileiras ou estrangeiras, que houverem prestado relevantes serviços à Marinha. Foi instituída pelo decreto nº 24659, de 11 de julho de 1934. A roseta do passador infelizmente caiu com o tempo, mas as possibilidades do Grau podem ser: Oficial (outorgada aos oficiais superiores das forças armadas) ou Comendador (outorgada aos oficiais-generais) ou Grande-Oficial (para  ministros de Estado, chefes de forças navais, chefes de Estado-maior das forças armadas e oficiais-generais das forças armadas de posto equivalente no mínimo, igual ou superior a vice-almirante).

2ª fileira:

Medalha Militar Brasil - Ouro (30 Anos) - Foi criada pelo Decreto n° 4.238, de 15 de Novembro de 1901, e destina-se a recompensar os bons serviços prestados pelos oficiais e praças do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira, em serviço ativo. A medalha é concedida a militares que completam decênios de bons serviços prestados às forças armadas, devendo os mesmos satisfazer condições tais como ser considerado merecedor por seu Comandante, Chefe ou Diretor e não ter sido punido disciplinarmente por transgressão atentatória à honra pessoal, ao pundonor militar ou ao decoro da classe. Medalha Militar de Ouro com passador de ouro (tempo computável: 30 anos).

Medalha de Prata do Cinquentenário da República (1889-1939) - Medalha em prata de lei oficial comemorativa do cinquentenário da Proclamação da Republica, 1939, com a imagem dos presidentes Getúlio Vargas e Marechal Deodoro da Fonseca.

Medalha Prêmio Revista Marítima Brasileira - Criada no Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1926, a Biblioteca e Arquivo da Marinha, subordinada diretamente ao ministro, é destinada á difusão da instrução entre o pessoal da Armada, bem como á guarda e conservação dos documentos oficias e demais papeis e livros uteis á Marinha. A Revista Marítima Brasileira é uma publicação destinada a tratar de quaisquer assuntos concernentes á Marinha de Guerra ou mercante. De acordo com o Art. 47, para estimular o estudo dos assuntos profissionais, o ministro da Marinha nomeará uma comissão especialmente incumbida de escolher dentre os trabalhos publicados na Revista Marítima, durante o ano, o que for, a seu juízo, de maior utilidade prática para a Marinha. E o Art. 48, o autor do trabalho escolhido pela comissão o ministro poderá conceder um prêmio, com o respectivo diploma. E o Art. 49, A Revista, em pagina especial, no primeiro número do seguinte ano, publicará o retrato e inscreverá o nome do autor e o titulo do trabalho premiado.

3ª fileira:

Grau Cavaleiro da Ordem do Sol Nascente do Japão - É uma ordem japonesa, estabelecida em 1875 pelo Imperador Meiji. Criada pelo Conselho de Estado, foi a primeira condecoração nacional entregue pelo governo japonês e uma das mais antigas ordens ainda em atividade no mundo. 

Medalha de Guerra (1914-1920) - Grã Bretanha - É uma medalha de campanha do Reino Unido, que foi concedida a oficiais e soldados de forças britânicas e imperiais para o serviço na Primeira Guerra Mundial. Duas versões do medalha foram produzidas. Cerca de 6,5 milhões foram cunhadas em prata e 110.000 foram feitas em bronze, esta última para a concessão para chineses, malteses e do Corpo de Trabalho indiano. Para a Marinha Real, Royal Marines e Forças Navais Coloniais, os critérios eram de 28 dias de serviço, mas sem um requisito para o serviço no exterior. 

Grau Cavaleiro da "Condecoración de la Orden de Mayo Al Mérito Naval" - Argentina - Estabelecida pelo Decreto Lei nº 16.629 de 17 de dezembro de 1957, ratificada pela Lei nº 14.467, a "Orden de Mayo", é um prêmio que foi concedido exclusivamente a cidadãos estrangeiros civis e militares que se destacaram por seus serviços e trabalhos pessoais e merecem a gratidão da nação Argentina.

4ª fileira:

Grau Cavaleiro da Ordem Real da Espada - Reino da Suécia - É uma ordem sueca de cavalaria criada pelo rei Frederico I da Suécia em 23 de fevereiro, 1748, em conjunto com a Ordem do Serafim e a Ordem da Estrela Polar. Concedida aos oficiais, e originalmente concebida como um prêmio por bravura e serviço particularmente longo ou útil, ela acabou se tornando um prêmio de mais ou menos obrigatório para oficiais militares após um determinado número de anos de serviço. A Cruz de Guerra da Ordem da Espada pode ser em ouro, prata e bronze. Elas são usadas na mesma fita.

"Cruz del Mérito Naval 1a. Classe" - Espanha - São concedidas ao mérito, trabalho, ações, eventos ou serviços distintos, que são feitas na prestação de missões ou serviços que ordinária ou extraordinariamente são confiadas às Forças Armadas Espanholas ou em conexão com a defesa.

Grau Cavaleiro da Ordem do Mérito do Chile - Foi criada em 1929 para corresponder ao atendimento prestado por exércitos estrangeiros a oficiais chilenos que estavam adidos em países amigos.



Alfaiataria identificada pelo telefone ainda com 6 digitos. 
Ela era localizada na Av. Rio Branco, Rio de Janeiro, DF.
(Anúncios dela foram achados na Internet de 1948 à 1952)


Detalhe mostrando como era fixado o Alamar de Oficial Superior no uniforme:

No ombro esquerdo possui uma espera para um gancho do Alamar


No peito esquerdo, dois botões escondidos abaixo da lapela


Distintivo de Comando Dourado e 
da Escola Superior de Guerra:




terça-feira, 18 de outubro de 2016

Veterano de Duas Revoluções

Veterano de duas Revoluções:


Ovídio Moojen Machado, nasceu em Lagoa Vermelha no dia 30 de Outubro de 1902, filho do professor Carlos de Oliveira Machado e de Malvina Moojen Machado. Seu avô, Major Ovídio Guilherme Moojen foi Comandante da 6a secção do B. da G. C. da Guarda Nacional. Em 1882, ainda durante o Império, foi eleito vereador. Fez parte da primeira composição da Câmara de Vereadores e foi eleito presidente do Legislativo em 1883 e em 1885. Seu mandato expirou em 1887. O major Ovídio Guilherme Moojen era natural do Paraná, tendo nascido em 19 de abril de 1838. Seu pai, o inglês John George Moojen, foi veterano da Guerra da Paraguaí. Ele era cirurgião do Exército Imperial Brasileiro no acampanamento de Aguapéi, onde prestava serviço na divisão sob as ordens do General José Gomes Portinho, barão de Cruz Alta (perdeu um filho na guerra).


Ovídio Moojen Machado, participou das Revoluções de 1930 e 1932 como oficial da arma da Cavalaria,  chegando à patente de Capitão (como era carinhosamente chamado pelos amigos e parentes). 


Depois destas experiências, saiu do Exército e constituiu família. Casou com Luizinha Marques Machado e teve sete filhos. Foi agrimensor, tabelião e intendente no norte do estado em Tenente Portela e passou o final da sua vida em Passo Fundo. Era considerado um grande caçador e por muitos anos foi companheiro de caçada de Arlindo Zatti (considerado o maior colecionador de Armas do Brasil nos anos 60-70).


Faleceu em Passo Fundo/RS em 1964.

RIP

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Fotografia de Estúdio - Febianos do Grupo Bandeirantes

Fotografia de Estúdio - 
Febianos do Grupo Bandeirantes:


A Artilharia Divisionária (AD) ao comando do general Cordeiro de Farias foi composta dos grupos de Artilharia I-GO-105 (Grupo de São Cristovão-Rio, sob o comando do Tenente Coronel Levy Cardoso), II-GO-105 (Grupo Monte Bastione, de Campinho-Rio, ao comando do Coronel Geraldo da Camino, sendo o primeiro a entrar em ação na Itália), III-GO-105 (Grupo Bandeirantes de Quintaúna, de São Paulo-SP, ao comando do Tenente Coronel José de Souza Carvalho), IV-GO-155 (Grupo Montese), ao comando do Tenente Coronel Hugo Panasco Alvim) e 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO da FAB, sob controle operacional da FEB); 



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Fotografia de Estúdio de um Herói da FEB - Parte 2

Fotografia de Estúdio de um Herói da FEB - Parte 2:


Floriano de Lima Brayner nasceu na Paraíba no dia 2 de janeiro de 1897, filho de João das Neves Lima Brayner e de Ana C. Brayner.

Em maio de 1913, sentou praça na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), sendo declarado aspirante em fevereiro de 1918 e, em maio do mesmo ano, segundo-tenente. Em fevereiro de 1922, foi classificado no 6º Batalhão de Caçadores, sediado em Ipameri (GO). Promovido a primeiro-tenente em setembro do mesmo ano, serviu nessa unidade até junho de 1927.

Entre setembro e dezembro de 1925, serviu sob as ordens do coronel Álvaro Mariante, cujo destacamento operava no estado de Goiás na repressão à Coluna Prestes, movimento rebelde que percorreu o interior do país de abril de 1925 a fevereiro/março de 1927.

Ainda em 1927, foi transferido para o 22º Batalhão de Caçadores, sediado na capital paraibana, e em fevereiro do ano seguinte ingressou na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, no Rio. Concluiu o curso em dezembro de 1928, já promovido a capitão desde o mês anterior.

Exerceu as funções de instrutor na mesma escola até março de 1931, quando iniciou o curso da Escola do Estado-Maior do Exército, ainda no Rio. Concluiu o curso em janeiro de 1934, foi promovido a major em outubro do mesmo ano e, de maio de 1935 a dezembro de 1936, exerceu a função de oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general João Gomes. Classificado em seguida no 32º Batalhão de Caçadores, sediado em Blumenau (SC), entre janeiro e maio de 1937 estagiou no Exército francês.

Instrutor-chefe do curso de infantaria da Escola de Armas, no Rio, de dezembro de 1937 a dezembro de 1939, retornou em janeiro de 1940 ao 32º BC. Promovido a tenente-coronel em maio do mesmo ano, deixou a unidade em janeiro de 1941, para exercer funções de instrução e direção na Escola Militar do Realengo, onde permaneceu até junho de 1943.


Promovido a coronel em abril de 1943, em julho foi escolhido para estagiar nos Estados Unidos. Na ocasião, já iam avançadas as negociações que visavam à participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. O Brasil deveria enviar tropas para o exterior, em íntima conexão com os norte-americanos. Assim, abriram-se cursos especiais de emergência nos EUA para militares brasileiros. O coronel Lima Brayner cursou a Escola de Comando e Estado-Maior de Fort Leavenworth e estagiou no Estado-Maior da 100ª Divisão, em Fort Jackson.



Na Força Expedicionária Brasileira

Em outubro de 1943, criou-se no Brasil a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), com a finalidade de participar dos combates na Europa. A 1ª DIE, que viria a se tornar conhecida como Força Expedicionária Brasileira (FEB), era comandada pelo general João Batista Mascarenhas de Morais. Brayner chefiou o Estado-Maior da FEB a partir de janeiro de 1944, e foi portanto uma das mais altas autoridades entre os oficiais brasileiros integrantes da força. Não obstante, em diversos momentos demonstrou graves desentendimentos em relação a como eram utilizados os combatentes brasileiros.



Segundo relata em suas memórias de guerra (A verdade sobre a FEB), já em abril de 1944 criticava o empirismo que caracterizava os preparativos militares e a lentidão na organização do transporte de tropas. Além disso, discordava da maneira como se negociara a cooperação militar com os EUA, que a seu ver originara sérios desentendimentos e a instalação de um grande número de tropas estrangeiras em Natal. Responsabilizava por esses fatos o chefe do Estado-Maior do Exército, general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, e o regime ditatorial de Getúlio Vargas, que impedia os trabalhos parlamentares e cerceava, assim, a discussão nacional de questões dessa relevância. Criticava ainda o acordo econômico-militar firmado com os EUA em 23 de maio de 1942, afirmando que só trouxera prejuízos ao Brasil.



Em maio de 1944, Brayner passou a integrar o estado-maior especial que tinha a missão de planejar e executar o embarque da 1ª DIE, juntamente com os tenentes-coronéis Amauri Kruel e Humberto de Alencar Castelo Branco e dois oficiais norte-americanos.

No dia 2 de julho, partiu para Nápoles, Itália, a bordo do navio General Mann, na condição de chefe do Estado-Maior Divisionário, órgão intermediário entre o comando e os organismos de execução. Seguia na mesma viagem o 1º Escalão da FEB, comandado pelo general Mascarenhas de Morais. O 2º e o 3º escalões chegariam a Nápoles em outubro, o 4º em novembro e o 5º em fevereiro do ano seguinte.

Em agosto de 1944, a 1ª DlE foi incorporada ao V Exército norte-americano, estacionado na Tarquínia, passando a operar como uma “grande unidade”. Na ocasião, Brayner reformulou seu estado-maior, criando serviços de destacamento: saúde, inteligência e polícia.

Em outubro do mesmo ano, Brayner compareceu, juntamente com o comandante da FEB, general Mascarenhas de Morais, a uma reunião de comandantes de grandes unidades, realizada em Passo di Futa. Nessa reunião avaliou-se o estado geral das tropas norte-americanas, considerado precário, e, em decorrência, tomaram-se diversas decisões, algumas das quais atribuíam aos combatentes brasileiros grandes responsabilidades. Segundo afirma em suas memórias, Brayner considerava essas tarefas muito superiores às forças e à experiência das tropas da FEB.

O coronel Brayner deixou essa reunião com a convicção de que se devia organizar um grupo de oficiais do Estado-Maior da FEB para atuar junto ao comando do V Exército norte-americano. Em seu livro, relata que, nessa altura, entrou em choque com o tenente-coronel Castelo Branco, chefe da seção de operações do Estado-Maior, a quem teria acusado de obstar as iniciativas no sentido de conseguir um maior entrosamento com os oficiais norte-americanos, de maneira a abrir a discussão sobre o emprego das tropas brasileiras.

Quando, no inverno de 1944-1945, as tropas brasileiras foram incumbidas de tomar a localidade de Monte Castelo, Itália, ponto de defesa alemã de Castel Nuovo, principal objetivo militar da região, acirraram-se, sempre segundo Brayner, as discordâncias entre sua posição e a do comando norte-americano e de seus companheiros do Estado-Maior. Das tropas estacionadas na região, apenas as brasileiras receberam encargos de combate, embora fossem as menos aparelhadas e capacitadas para enfrentar o rigor do inverno europeu. Entre 27 de novembro e 12 de dezembro de 1944, quatro ofensivas foram rechaçadas pelos alemães, provocando um total de 350 mortes e ferimentos em centenas de combatentes da FEB.

Brayner afirma em seu livro que encontrou em Monte Castelo a demonstração cabal da ineficiência do comando norte-americano e dos inconvenientes da subordinação dos efetivos brasileiros ao V Exército. De resto, os próprios alemães aproveitavam-se deste problema, lançando panfletos redigidos em português nos quais escarneciam dos soldados brasileiros tutelados pelos norte-americanos, instando-os a retornarem ao Brasil.

As sucessivas derrotas em Monte Castelo se explicavam, para o coronel Brayner, pela repetição de erros táticos, e também pela atuação do tenente-coronel Castelo Branco, já que os preparativos para as operações partiam exclusivamente da seção de operações, sem que se tentasse promover um trabalho de equipe que envolvesse todo o Estado-Maior. Brayner achava, além disso, que Castelo Branco concordava com os planos formulados pelos norte-americanos sem proceder a uma avaliação das tentativas já feitas e frustradas.

Em janeiro de 1945, Brayner viajou ao Brasil em missão oficial junto ao governo, precisando fazer declarações para tranqüilizar a opinião pública que, apesar da censura, se alarmava com notícias que falavam de pesadas baixas entre os combatentes brasileiros. Em visita ao Estado-Maior do Exército, concluiu que reinava ali total desinformação a respeito do teatro de operações na Itália, o que atribuía a falsos boletins de informação que o tenente-coronel Castelo Branco teria expedido sem o seu controle.
Após a tomada de Monte Castelo pela FEB em 21 de fevereiro de 1945, Brayner concluiu, em face do alto preço pago em vidas e das condições de combate, que a imposição feita pelos norte-americanos às tropas brasileiras contrariara todas as doutrinas de guerra, com características de primarismo e desumanidade por parte do comando do V Exército.

No dia 19 de abril, Brayner foi encarregado pelo general Mascarenhas de Morais de negociar em Collecchio, no vale do rio Pó, a rendição incondicional de 15 mil soldados alemães, proposta por 30 de seus oficiais. No dia seguinte, praticamente todos os prisioneiros e equipamentos bélicos já estavam recolhidos.

Encerrada a campanha militar do V Exército e da FEB em 2 de maio, as tropas brasileiras estacionaram em Francolise, aguardando o retorno ao Brasil, onde já ia avançado o processo de reconstitucionalização, reforçado pela derrota dos exércitos fascistas.



A campanha militar da FEB, cujos efetivos alcançaram um total de 25.334 homens, 15.069 dos quais utilizados em combate, deixou um saldo de 451 mortos, 1.145 feridos, 23 desaparecidos e 35 prisioneiros. Foram feitos 20.573 prisioneiros entre soldados alemães e italianos.

Com a iminência da volta dos combatentes, criou-se um destacamento precursor, incumbido de preparar, no Brasil, o retorno das tropas. Iniciava-se assim o desmembramento do estado-maior divisionário, a que Brayner se opôs por considerar a medida prematura e por entendê-la como uma manobra do governo para esvaziar a FEB. No seu entender, essa manobra se confirmou quando a chegada ao Rio de Janeiro do general Mascarenhas de Morais foi transferida à última hora do aeroporto Santos Dumont para a Base Aérea de Santa Cruz, onde se poderiam evitar manifestações populares.

Floriano de Lima Brayner, Antônio de Mendonça Molina e 
outros integrantes da FEB com armas de soldados alemães.
Fonte: FGV




Após o fim da guerra

Em 20 de outubro, o coronel Brayner foi incumbido por Góis Monteiro de regressar à Itália para assumir o posto de adjunto militar à embaixada brasileira, função que assumiu a partir do dia 27 de novembro. Na ocasião, apenas Brayner não ingressou no Estado-Maior do Exército (EME), ao contrário dos chefes da 1ª, da 2ª e da 3ª seções do Estado-Maior da FEB.

Em julho de 1946, foi designado para viajar ao Peru, representando o Brasil na posse do presidente José Luiz Bustamante y Risero. Em janeiro do ano seguinte, foi promovido a general-de-brigada. Finalmente, em setembro de 1947, foi nomeado primeiro-subchefe do EME, cargo que ocuparia até fevereiro de 1949. Nesse ínterim, em janeiro de 1948, integrou a Comissão Militar Brasil-EUA. Em 1949, representou o Brasil na conferência de Genebra, Suíça, para proteção às vítimas e aos prisioneiros de guerra.


Em setembro de 1951, foi nomeado comandante da 5ª Região Militar e da 5ª Divisão de Infantaria, ambas sediadas em Curitiba, exercendo essas funções apenas até janeiro de 1952. Entre fevereiro de 1952 e março de 1955, chefiou a Secretaria Geral de Administração do Exército. Em setembro de 1952, enquanto exercia esse cargo, foi promovido a general-de-divisão.

No dia 11 de novembro de 1955, colocou-se contra o golpe militar liderado pelo general Henrique Lott (ministro da Guerra até a véspera), movimento que segundo seus articuladores visava neutralizar uma conspiração em preparo e assegurar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. O movimento provocou o impedimento dos presidentes da República Carlos Luz, em exercício, e João Café Filho, licenciado, empossando na chefia da nação o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos. Apesar disso, no dia seguinte Brayner foi nomeado chefe do Gabinete Militar do novo presidente, permanecendo no cargo até a posse de Kubitschek, em janeiro de 1956.


Em seguida, Brayner prestou assessoria militar à Delegação Permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas de julho de 1956 a março de 1959. Entre março e abril de 1958, ocupou interinamente o cargo de ministro da Guerra na ausência de seu titular, o general Lott. Foi promovido a general-de-exército em dezembro de 1958 e, em junho de 1959, nomeado chefe do EME, exercendo o cargo até abril de 1961. Nomeado ministro do Superior Tribunal Militar (STM), tomou posse em junho do mesmo ano.


Em 1967, ano em que deixou o STM por ter atingido o limite de idade para o cargo, Brayner impetrou mandado de segurança contra o decreto do dia 3 de janeiro do mesmo ano, assinado pelo presidente da República, Humberto Castelo Branco, que o reformara no posto de general-de-exército, quando deveria ser elevado à patente de marechal. A ação teve êxito e Brayner recebeu a promoção, contada a partir do decreto de reforma.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 3 de fevereiro de 1983.

Escreveu A verdade sobre a FEB, memórias de um chefe de estado-maior na campanha da Itália (1943-1945) (1968), Luzes sobre memórias (1973) e Recordando os bravos: eu convivi com eles na campanha da Itália (1977).Renato Lemos




FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; BRAYNER, F. Verdade; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CORRESP. SECRET. GER. EXÉRC.; CORRESP. SUP. TRIB. MILITAR; COSTA, M. Cronologia; DULLES, J. Getúlio; Grande encic. Delta; MIN. AER. Almanaque (1963); MIN. GUERRA. Subsídios; MORAIS, J. FEB; SILVA, H. 1942; SILVA, H. 1944; Veja (9/2/83).

Fotografia de Estúdio de um Herói da FEB

Fotografia de Estúdio de um Herói da FEB:

TC José de Souza Carvalho, que durante a guerra foi comandante
do III-GO-105 (Grupo Bandeirantes de Quintaúna, de São Paulo-SP),
chegando ao posto de General:


Este Oficial Superior de 
Artilharia foi condecorado com:

Cruz de Combate (acredito que seja uma CC1)
Medalha de Campanha da FEB
Ordem do Mérito Militar - Oficial
Medalha de Guerra
Medalha Militar (20 Anos)
Bronze Star - Estados Unidos da América
Croix de guerre 39-45 avec palme - França
Ordre national de la Légion d'honneur - Chevalier - França
Ordine della Corona d'Italia - Ufficiale - Itália
Order Odrodzenia Polski - Krzyż Oficerski 
(Ordem da Polônia Restituída - Oficial) - Polônia

Data nascimento 12 Set. 1898, no Rio de Janeiro
Matriculado no Colégio Militar do RJ, em 1909
Matriculado na Escola Militar do Realengo, em 1917
Reformado no posto de Gen. Bda., em 1955
Data falecimento: 14 Set. 1993, em São Paulo - SP

Fotografia dele durante a guerra (site Museu Virtual Feb):














Fonte: 

http://museuvirtualfeb.blogspot.com.br/2013/07/tenente-coronel-jose-de-souza-carvalho.html